Nossa, olhando para atrás, lendo minhas antigas postagens, vi tantos erros, não só de gramática, mas também de auto-correção do iPhone, hahaha.
Faz, acho, que mais de um ano que não escrevo no blog, apesar de saber que ninguém o lê, tem muita coisa pra contar. Nesse meio tempo, de mais ou menos um ano e meio, já fui e já voltei da Espanha. Pra resumir, de modo muito curto, fui, detestei, meu pai foi demitido, voltei. Agora que fiz a síntese do ocorrido, desenvolvamos a história.
Talvez não se lembrem, que antes de receber a notícia sobre a mudança para Espanha, havia acabado de mudar de colégio, pra estudar no currículo bilingue, português/alemão, o qual no começo me fez muito infeliz. Sentia saudades de tudo e de todos, dos meu amigos, meu colégio, as qualidades e inclusive os defeitos, mas mal sabia eu que era muito feliz, mais feliz, e não sabia.
Quando chegou o dia, de entrar no avião e após 12 horas, pisar no aeroporto internacional de Madrid, minha ansiedade, minha alegria, era maior que a de muitas vezes. Eu não sabia o que me aguardava, mas tinha idealizado uma vida perfeita, uma vida na "europa", como todos costumam dizer. Imaginava, dias ensolarados, cheio de gente alegre nas ruas, usando metros sem preocupação, indo ao colégio e recebendo uma educação avançada e de classe, e realmente foi assim, durante o primeiro mês, um mês antes de as aulas começarem, um mês antes de tudo começar a desandar.
Esse primeiro mês, foi de muita alegria. Eu e minha família, fizemos diversos passeios por pontos turísticos muito conhecidos, pontos históricos, museus, parques, restaurantes, e vários outros. Já que no Brasil, dediquei anos da minha vida ao alemão, resolvemos não atira-los ao lixo e portanto estudar em um colégio de língua alemã. Tínhamos duas escolhas, a escola alemã de Madrid, ou a Suíça de Madrid. Primeiramente visitamos o colégio alemão, fizemos as provas, e me disseram que eu teria de voltar um ano, devido ao alemão, afinal, passei apenas seis messes estudando matérias como matemáticas, história, geografia, em alemão. Essa notícia me deixou muito triste, e foi o que me fez descartar o Deutshcer Schule, partindo então, para a segunda opção, o Suíço. O colégio suíço nos recebeu super bem, muito melhor que o outro, e a surpresa foi que, igualmente eu teria que voltar um ano, mesmo assim, acho que fui mais com a cara.
Enquanto não tínhamos alugado nenhum apartamento, estávamos morando em um hotel, teoricamente quatro estrelas. Eu gostava, eu pelo menos, gosto dessa informalidade, das pessoas, de tudo, hotéis realmente me atraem, e aquele em particular, eu gostava, por que? Não sei, mas naquela época, era feliz. A história se reverteu quando as aulas começaram, e tudo piorou. Eu estava ansiosa demais no primeiro dia, criando esperanças de que teria muitos amigos e que aprenderia a falar alemão fluentemente, que amaria os professores, o método, as matérias e que finalmente, iria aprender o idioma com o qual eu mais sonhava em aprender, o francês. Dentre essas muitas ilusões , nenhuma se cumpriu. Eu comecei a detestar ir ao colégio e estava pesando cada vez mais, já que para estudar eu tinha que traduzir antes, apesar disso, devo confessar, que houve grande parcela de preguiça, porque sei que eu poderia ter estudado muito mais do que eu realmente fazia, mas o que chocou, foi eu ter que fazer isso, pois aqui no Brasil, estudar era algo que eu fazia muito vagamente, e mesmo assim, tinha boas notas. Três meses foram o máximo que eu aguentei e logo, começou a procura por um colégio espanhol, onde eu pudesse voltar a minha vida preguiçosa novamente, o que me dói admitir, mas graças a Deus, não preciso de muito estudo, mas posso garantir, que presto atenção em todas as aulas, faço todos os exercícios pedidos pelo professor, inclusive os deveres de casa.
Colégio Liceo Europe, a segunda parte do meu ano e meio na Espanha, o que definitivamente, me fez detestar a Espanha e agradecer todos os dias, desde minha volta, por ter saído, e como diz minha mãe, perceber que Deus, pode nos pôr em um país de primeiro mundo e fazer-nos sentir como terceiro e pôr-nos em terceiro de modo que nos sintamos em um de primeiro. Nada, hoje, me faria mais feliz, do que a vida que tenho agora, e foi preciso um ano e meio de sofrimento para que abrisse os olhos e percebesse como Deus é bom comigo, como Ele me dá de tudo do bom e do melhor, como me deu a vida que eu sonho.
Os espanhóis, não fazem amigos depois dos 10 anos de idade, simplesmente conhecem pessoas e com isso, eu tive dificuldades enormes para fazer amigos, e normalmente, eu sou a pessoas mais comunicativa, mais sociável que há. Os professores, eram o mais próximo de amigos que tive. Olhando para a época de um ano e pouco de liceo, divido em três partes: a primeira, o sofrimento desenfreado, de choro, de prantos e tristeza. A segunda, de aceitação, porém depressão e a terceira, aproximação com o Senhor Jesus que me trouxe a felicidade e a minha entrega da vida ao Senhor, rendendo-me a Ele e deixando que fosse feito o que ele bem entendesse, porque entendi, do modo mais difícil, que Deus, faz as coisas de um jeito que nós não entendemos, e que pode que futuramente entendamos e pode que não mas o Seu pensamento, o Seu tempo, não é o nosso e devemos simplesmente render-nos, porque lutar contra a correnteza não nos tiras do lugar.
A primeira parte, que durou cerca de cinco meses, de choro, de pranto, foi horrível, tudo me deixava triste, tudo me fazia chorar, nada me alegrava, minha vida parecia ser a pior de todas, mas não duvidei, nem por um segundo, de que Deus, tinha um propósito, apesar disso, não orava, não lia Sua palavra, não fazia nada, e aquele choro, estava acabando comigo, me deixando casa vez mais desesperada, até que eu percebi que, não havia nada que eu pudesse fazer, aquela era minha vida e enquanto o contrato do meu pai de dois anos, podendo extender-se `a três, `a quatro, cinco, só Deus sabe eu teria aquela vida, então, entrou a segunda parte, que durou aproximadamente seis meses.
Eu não chorava mas também não sorria, continuava não me alegrando, e toda essa tristeza me corroía por dentro e me deixava cada vez mais depressiva e apesar de tentar não traspassar isso aos meus país, minha mãe que como foi sempre muito próxima `a mim e sempre soube de tudo, percebeu, notou algo, alguma coisa errada no meu falso sorriso, e como me alegrei com isso, como me alegrei que alguém percebesse, principalmente alguém que eu amo, mais que tudo nesse mundo terreno. Como qualquer mãe, principalmente uma psicóloga, me levou a uma, e essa, depois de algumas sessões, me diagnosticou `a beira da depressão, mas eu não queria acreditar, não podia, me recusava, onde já se viu, uma cristã, uma filha do Deus vivo, do Deus-Todo-Poderoso, entrar em depressão, não, não podia ser e foi então que veio a terceira parte, os últimos e menos piores, cada dia melhores, dias da minha vida na Espanha. Comecei a orar, a ler, a pedir, clamar por ajuda, por suporte, por entendimento, paciência, sabedoria e aceitação, eu queria aceitar, aceitar de verdade, queria ser feliz, queria paz, toda aquela mágoa tinha que ir embora e finalmente eu percebi, que esforço humano nenhum serviria, que somente Ele, poderia me ajudar, e a cada dia que passava, eu melhorava, meu semblante, voltava a ser o de sempre, feliz, alegre, e eu, no meu interior, me sentia bem, e não me importava mais em entrar as 9:30 e sair as 17 horas do colégio, comecei a envolver na igreja e tudo começou a melhorar, encontrei milhões de pessoas boas, jovens, AMIGOS, foi o que eu fiz, AMIGOS, melhor que isso, AMIGOS EM CRISTO. Foi a melhor igreja que eu frequentei e nesses últimos meses, inclusive, cheguei a me apaixonar, bom, não apaixonar, mas gostei de um cara, gostei muito, e por ele, não fiquei tão feliz quando recebi a notícia de que voltaríamos ao Brasil, porém confiei no Senhor, e entreguei `a Ele a minha vida e que fosse feito a Sua vontade, e posso garantir que NUNCA, NUNCA fui tão feliz quanto agora, NUNCA, tive menos preocupações e agora, não posso mais afastar-me, não quero, não consigo mais, e hoje, eu agradeço todos os dias, não apenas pela vida que eu tenho, não apenas pela vida, pela comida, pela casa, mas também por todo sofrimento, por todo período de angústia, porque se não fosse por ele, eu não enxergaria que minha vida não é completa, não é satisfatória, não é perfeita se Deus não a está guiando, conduzindo, dirigindo por onde ele quer, pois Sua vontade é boa, perfeita e agradável.
Bom, depois de escrever, muito mais do que eu imaginava, deixo para contar os detalhes da minha nova vida aqui no Brasil amanha, em uma nova postagem, porque senão, varo a noite aqui.
Boa Noite
anne*martinez
quinta-feira, 29 de março de 2012
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